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 A legitimidade de tomar o país de assalto

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MensagemAssunto: A legitimidade de tomar o país de assalto   Sab Mar 22, 2014 7:58 pm




A legitimidade de tomar o país de assalto
Se te manifestas contra o Governo em Caracas ou Kiev (neste caso contra o de Moscovo), estarás a lutar pela liberdade e contra o absolutismo. Se te manifestas em Lisboa ou Atenas és um irresponsável incapaz de perceber que as tuas atitudes provocam consequências desastrosas junto dos mercados e dos investidores. Pouco importa se te sentes injustiçado, roubado ou enganado porque a legitimidade da tua revolta, ao contrário da dos nossos pares venezuelanos ou ucranianos, depende muito menos desses factores do que do apetite voraz de Wall Street ou da City londrina. O teu país está tão ocupado e vergado a oligarcas como a Crimeia. A única diferença é que em Portugal e na Grécia o poder político já assinou o pacto de vassalagem com o regime certo. Aqui o trabalho está feito.
Parece ser irrelevante se os protestos na Venezuela são instrumentalizados pela velha elite capitalista que se está completamente nas tintas para as aspirações dos venezuelanos que hoje arriscam o pescoço nas ruas. Essa elite não pretende mais do que recuperar o domínio absoluto sobre a economia que a “heresia” de Chavéz lhes retirou através daquele que, segundo o antigo presidente norte-americano e perigoso comunista Jimmy Carter, é o melhor processo eleitoral do mundo. A mesma elite que dirigiu, em 2002, a tentativa de golpe de estado patrocinado pelos EUA e cujas televisões manipularam imagens onde os apoiantes dos “rebeldes” disparavam sobre uma multidão de apoiantes de Chavéz passando estes por ser os próprios apoiantes de Chavéz. Desfez-se a mentira e o Ocidente assobiou para o lado como é seu hábito em situações semelhantes. Importante relembrar que, entre aqueles que tentaram sabotar o governo Chávez e orquestraram este teatro, se encontrava o puro e imaculado Henrique Caprilles. Se hoje Maduro age como um lunático, é bem ter em conta que outros lunáticos lhe oferecem todos os argumentos que um bom ditador precisa para oprimir o seu povo. Mas a solução, com toda a certeza, não passará por substituir um regime populista por um regime de oligarcas.
Em Kiev vive-se uma situação ainda mais caricata. O povo saiu à rua porque estava farto de ser governado por um ditador fantoche vassalo de Moscovo. A solução foi substituí-lo por um grupo de fantoches vassalos de Washington cuja única diferença para com os seus antecessores reside no facto de ninguém os ter eleito. Entre estes vassalos contam-se alguns membros do Svoboda, um partido neo-nazi assumidamente anti-semita e xenófobo, que recentemente mostrou ao mundo o tipo de procedimentos democráticos que o caracterizam. Sim, é este tipo de escumalha que agora negoceia com os tecnocratas europeus que supostamente nos representam. A Aurora Dourada aplaude, Geert Wilders e Marine Le Pen esfregam as mãos em êxtase pelos amigos que emergem triunfantes e sem sufrágio. O IV Reich está já ali ao virar da esquina!
É aquele nível de contradição a que os líderes europeus que supostamente defendem uma União Europeia criada para, entre outras coisas, combater o legado nazi, nos habituaram. Fazem discursos pomposos sobre liberdade de expressão e autodeterminação dos povos ao mesmo tempo que selam a sua nova “amizade” com a extrema-direita ucraniana. Censuram manifestações e manifestos dos protectorados da dívida enquanto acenam com mercados livres e financiamentos aos novos oligarcas ucranianos. Quem ingenuamente acha que isto tem alguma coisa a ver com solidariedade para com o povo ucraniano que se desengane: é imperialismo em estado puro e o único objectivo é abrir as portas da economia ucraniana aos grandes grupos económicos para onde irão um dia trabalhar. Isso e apertar o cerco geográfico a Putin. A única função do povo é pagar impostos e estar calado. Liberdade e autodeterminação são, para estes senhores, conceitos sem qualquer valor. Excepto quando de alguma forma contribuem para a conservação do seu status quo.
Posto isto, o que nos impede de seguir as pisadas dos freedom fighters da Venezuela e da Ucrânia? Tal como eles, somos governados por gente corrupta e desonesta, gente que endivida o país para oferecer rendas multimilionárias às elites que depois os chamam para os seus conselhos de administração. Tal como nos dois países, a justiça praticamente não existe e apenas serve para proteger a elite que a desenha. Tal como eles, somos reprimidos quando nos manifestamos. Tal como eles somos permanentemente roubados, enganados e submetidos aos caprichos da elite dirigente. Tal como eles, querem-nos remeter ao empobrecimento, vedar-nos o acesso a uma educação digna e privar-nos de cuidados de saúde básicos. Precisamos de mais argumentos para tomar o país de assalto? Afinal de contas, se estes argumentos são legítimos para venezuelanos e ucranianos, com certeza também o serão para nós. Será que o senhor Rompuy nos recebe em Bruxelas? Ou precisaremos de nos munir de suásticas para que nos abram as portas?
João Mendes

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